Entre Tripas e Palavras | |
O Nascimento de um Monstro
04:12, 15/5/2008
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O texto abaixo é introdutório e representa a primeira parte, de três, de um conto. O qual se propõe a mesclar erotismo com ficção para falar da vida de um assassino em série que dissecava suas vítimas após a relação sexual. Conde do Milênio No deslizar involuntário das minhas idéias, cheguei a pensar que havia algo em todo aquele desimportante conjunto de membros e cheguei a supor que em algum canto haveria de estar o sentido daquele instante. Mas não havia nada além de pele e carne. E as idéias que tive, mesmo as mais ingênuas, não passavam de uma má interpretação dos meus hormônios. Assim, já que aquela mulher disse gostar de mim, dispus-me a procurar, naquele corpo nu, um coração. Quis saber o que ela via em mim, e assim eu buscava no que buscava de mim, alguma espécie de consolo ou razão, alguma coisa que anunciasse a entrada fantástica do sentimento. E foi no deslizar, voluntario das minhas mãos sobre seu corpo que percebi que havia me despojado sobre pele e carne, que não haviam sentimentos, que não existia o coração. Entendi que naquela cama só havia uma puta e um homem inseguro sobre sua essência, mas que em ambos havia um desejo de sentimento. Aquela busca, aquela rotina, aquelas madrugadas só permitiram que eu me contaminasse com meu próprio veneno, a esperança. Sim! Na esperança me deitei com muitas mulheres. E cacei, em todos os corpos, o sabor da emoção. E toda noite eu me deitava revirado, entre idéias e pecados, todo o dia acordava com uma ou outra nos meus braços, enroscadas nas minhas incertezas, debruçadas sobre a fragilidade da minha apatia, assim eram as manhãs. Elas acordavam, sorriam, mentiam e saiam. Eu ficava lá deitado, sempre no mesmo ponto e no mesmo espaço, sempre acompanhado pelas bruxas da minha carência, sempre acompanhado pelo cheiro forte do sexo. Odiava o cheiro do sexo, odiava ter que me deitar com aquelas mulheres vazias, odiava ter que procurar um maldito coração entre as juras das meninas. Foi então que decidi largar das juras, abandonar as promessas e esperanças, foi assim que decidi mudar minha rotina. O sexo perdeu seu valor, os gemidos perderam seu prazer e eu passei a procurar entre tripas e corações o mecanismo do inexorável. Assim, passei a fazer das minhas conversas com as mulheres uma enorme teia, na qual as prendia, as arrastava e as abria. E por dentro, pude ver que todas as mulheres são iguais.
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